quarta-feira, 26 de agosto de 2009

J'adore J'adore

J'adore

Eu queria saber bater. Mas bater de verdade, que dar uns tapas eu sei. Mas não é disso que eu estou falando. Eu queria saber bater igual mulher policia em filme americano, quando elas pegam os malvados e arrebentam com todo mundo. Eu adoro, chego a salivar na frente da televisão pensando em como seria delicioso dar uns tabefes bem dados.
Hoje é um desses dias que eu queria ser boa de briga, mas daquelas que so batem ,porque apanhar eu nunca apanhei, mas sei ja que não gosto.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Paroles, paroles, paroles

Como é que as pessoas assistem reality show? Como podem acreditar que não tem um script por tras de todas as asneiras que assistem? E como podem gostar de um script tão pobre?
E não venham os mais metidos a intelectuais dizerem que assistem essas porcarias com um olhar sociologico sobre a coisa, que os candidatos desses programas absurdos são o reflexo da sociedade.
Desculpa la, isso não existe não, quem assiste reality show gosta de porcaria televisa representada por maus atores e so. Nada mais que isso.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Si Dios fuera una mujer


¿y si Dios fuera una mujer?
-Juan Gelman



¿Y si Dios fuera mujer?
pregunta Juan sin inmutarse,
vaya, vaya si Dios fuera mujer
es posible que agnósticos y ateos
no dijéramos no con la cabeza
y dijéramos sí con las entrañas.

Tal vez nos acercáramos a su divina desnudez
para besar sus pies no de bronce,
su pubis no de piedra,
sus pechos no de mármol,
sus labios no de yeso.

Si Dios fuera mujer la abrazaríamos
para arrancarla de su lontananza
y no habría que jurar
hasta que la muerte nos separe
ya que sería inmortal por antonomasia
y en vez de transmitirnos SIDA o pánico
nos contagiaría su inmortalidad.

Si Dios fuera mujer no se instalaría
lejana en el reino de los cielos,
sino que nos aguardaría en el zaguán del infierno,
con sus brazos no cerrados,
su rosa no de plástico
y su amor no de ángeles.

Ay Dios mío, Dios mío
si hasta siempre y desde siempre
fueras una mujer
qué lindo escándalo sería,
qué venturosa, espléndida, imposible,
prodigiosa blasfemia.


Mario Benedetti


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Mujeres Creando



Estava em La Paz quando abriram o café Arte Mujer e Carcajadas, tive também o prazer de encontrar muitas vezes a Maria Galindo na UMSA (Universidad Mayor de San Andrés). Sei o quanto Maria e Julieta soferam para fazer vingar aquele que é provavelmente o primeiro movimento feminista e intitulado feminista na Bolivia, violência verbal e fisica, desprezo social e imagino, muitas dificuldades econômicas para começar. Infelizmente não fiz parte do movimento, mas acompanhei de perto e tive o prazer de visitar varias vezes o café.
A pagina web se chama www.mujerescreando.org visitem a pagina, vale muito a pena conhecer o movimento e comprem o livro dos grafites, é fantastico. Antes que eu me esqueça, elas tem também uma radio, www.radiodeseo.com
Tem uma coisa que vejo muito depois que estou vivendo em Paris e que me irrita horrores, é a discriminação escondida pelo politicamente correto.
Me explico, conheci uma certa quantidade de gente super politicamente correta, que se inscrevem na Amnesty International, que sofrem diante de um caso de discriminação racial ou etnica, que acredita e acredita que acredita que neste mundo somos todos iguais e todos merecedores de um espaço sob o sol, bom, no caso de Paris sob as nuvens e oito meses por ano sob o cinza.
O problema é na relação direta que vejo dessas mesmas pessoas com o proximo que esta realmente proximo, ali, do lado.
Eu sou muito observadora e se não fosse tão impulsiva e tão faladora ainda teria mais historias para contar. Mas vamos la.
O primeiro exemplo disso eu vi no meu primeiro emprego. Quando cheguei trabalhei numa loja de sapatos no bairro mais popular da cidade, Barbés. Um casal de judeus, proprietarios da loja me deram o trabalho por minhas qualidades linguisticas, menos quando se trata do francês, é claro, por que nesta época eu so falava bonjour e merci.
A dona da loja tinha todo um discurso de igualdade humana, pretos, brancos, catolicos, muçulmanos e judeus, todos somos iguais. Lindo né? Pois então, so que ela entrava com uma buxinha e um produto de limpeza cada vez que queria usar o banheiro e mesmo varias vezes por dia. Perguntei a ela porque e a resposta (aproximativa, lembrem-se que eu não falava francês) foi: os meninos não levantam a tampa então tenho que estar sempre limpando. Pera ai minha senhora, vai ficar limpando mijo de barbado até quando? Entao a igualdade de gênero nao entra na sua listinha de politicamente correto? Pedi a ela que me deixasse resolver o caso pois ela se sentia mal em falar de uma coisa assim tao intima com homens. Comecei a ficar na porta do banheiro cada vez que entrava um representante do sexo que manda e depois inspecionavamos juntos, se tivesse uma gotinha o cabra limpava ali na minha frente, e sabe o que? deu certo, até porque eu acho que fazer xixi dentro da privada era mais facil que me suportar fazendo discursos que ninguem entendia acompanhado de cinco palavras que aprendi para a ocasiao.
Outra coisa foi na universidade, estudei em Paris 8 a universidade mais popular desta cidade, inclusive muito insultada por brasileiros que vem para ca sonhando com a Sorbonne e so conseguem vaga por la, porque é uma universidade que da vagas a todos, so que filho, entrar é facil, sair é que sao elas, porque o troço nao é facil nao. Tinha uma aula muito interessante de antropologia econômica com um professor fantastico a quem devo muito pela paciência e coragem para me ensinar calculos de economia. Neste curso eramos mais ou menos divididos entre metade muçulmanos e metade todo o resto, o que diga-se de passagem nunca criou nenhum tipo de conflito, mas quando se usava o exemplo de uma religiao monoteista para explicar qualquer coisa que nao fosse la muito positiva, o isla nunca era colocado no roda. Um dia perguntei a ele porque, e ele disse que era impressao minha, pode ser, respondi, entao para acabar com essa minha impressao vamos começar a falar mal dos turcos, nao que falar mal dos romanos me incomode, ate gosto, mas o espirito critico tem que ser imparcial numa sala de aula.
Deu mais ou menos certo, mas as discussoes foram fantasticas e aprendemos economia e sociologia religiosa tudo em tres horas por semana.
Do museu nao vou falar porque cada vez que penso que trabalhei naquele antro tenho vontade de sair cuspindo no mundo e hoje estou de bom humor.
Do batobus também nao porque ali o negocio era corretissimo, homem, mulher, branco, preto, todo mundo levava ferro.
Da outra compania de barco, sexista a morte, mulheres eram so caixeiras, assistentes ou secretarias, mas o chefe era um bolha machista e aqui era o outro politicamente correto que quero contar. Quando entrei so uma das meninas que trabalhavam na caixa era negra, mas um capitao e uma das assistentes do serviço comercial tambem eram. O problema é que essa menina era uma completa inutil, chegava atrazada quase todos os dias, passava os seus dias de trabalho entre o celular e o facebook, saia para almoçar e voltava quando tinha vontade e por ai vai. E nunca, nunquinha da silva nossos superiores hierarquicos imediatos fizeram nenhuma remarca, e porque? porque eles tinham medo de ser chamados de racistas se dessem um chega para la numa menina negra. Mas gente, ja viram exemplo mais claro de racismo que isso? Nao querer parecer racista? Tratar o negro como se ele fosse diferente do branco, incapaz de ter responsabilidades, de respeitar horarios ou qualquer outra coisa que se exige dos outros brancos que fazem o mesmo trabalho? E isso eu vejo o tempo todo, nos mercados, nos trabalhos, no transporte publico, o negro é protegido, mas protegido simplesmente ali, no superficial, porque no frigir dos ovos o preconceito existe e cada dia se reforça. Porque o chefe que diz nao querer ser chamado de racista é o mesmo que vai preferir contratar um branco para evitar esse tipo de situaçao. Claro que eu nao ia deixar passar mais essa a limpo e no final fui chamada, pela menina em questao, de branca racista.
Para ela a situaçao era comoda, e para varios negros que vejo aqui sem outra ambiçao que um trabalhinho mais ou menos e a ajuda do estado tudo isso ta bom assim, porque algumas pessoas, e espero que sejam a minoria, a situaçao de vitima é confortavel, culpar os outros pelas nossas desgraças é muito mais facil que tomar nossas proprias responsabilidades e isso me desespera, porque eu passo la no forum Les Halles e vejo toda uma geraçao de meninos e meninas completamente perdida, e sao todos negros. Com quinze anos ja estao fora da escola, as meninas tem filhos ainda adolescentes, os meninos que tem sorte terminam como segurança em supermercado e os que tem menos sorte na cadeia por trafico de drogas. E eu nao estou falando do Brasil, um pais claramente racista. Estou falando da França e de uma geraçao que aprendeu com os pais que eles sao sempre vitimas e nao podem ter nenhuma aspiraçao maior que o RMI (revenue minimum de inserction, uma miseria que o governo da para quem nao trabalha). E nao é possivel que uma situaçao tao desesperadora tenha so um culpado, porque vou dizer uma coisa para voces, eu como mulher e latino americana quando quero alguma coisa nao posso esperar que seja o branco, europeu e homem, me dê de mao beijada, porque ele nao vai sair do conforto dele para resolver os meus problemas, e acho que o mesmo acontece nas relaçoes raciais aqui. E sim, sei que a palavra raça foi banida a tempos mas eu nao sei que palavra usar, e "francês de cor" podem esquecer, da minha boquinha nao sai esse troço feio nao.

P.S.: Os acentos da metade do post para baixo? perguntem ao meu computa porque eu ja cansei de tentar intendê-lo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Abri uma pagina para colocar fotos, o flickr é muito chato e tem limites mensais, e eu não penso de jeito nenhum em pagar para colocar fotos no flickr. Quem quiser ver: www.photosamya.tumblr.com
Decidi fazer um percurso educativo nos blogs das feministas brasileiras, então no lugar de perder preciosas horas do rarissimo sol parisiense escrevendo no meu proprio blog ou lendo o que me agrada por ai eu decidi investir em saber o que pensam as mulheres feministas do meu brasil VARONIL.Gostei não, alias gostei bem pouco, porque o que me cabreou mesmo não foram os posts e sim os comentarios. Ja aconteceu com vocês de terem a impressão que algumas pessoas lêem mas não sabem o que lêem? Pois é, foi a impressão que eu tive. Mas isso é so um desabafo.

sábado, 1 de agosto de 2009

sábado, 25 de julho de 2009

Esta quase na hora de deixar Paris e pela primeira vez é a cidade, mais que as pessoas, que dificulta a minha partida. Ontem, caminhando pela Île de Saint Louis, me perguntava como posso fazer para viver sem Paris, porque é exatamente essa a pergunta, uma vez que vivi em Paris como faço para viver em outro lugar?
Il n'y a jamais de fin à Paris et le souvenir qu'en gardent tous ceux que y ont vécu diffère d'une personne à l'autre. Nous y sommes toujours revenus, et peu importait qui nos étions, chaque fois, ou comment il avai changé, ou avec quelles difficultés - ou quelles commodités - nous pouvions nous y rendre. Paris valait toujours la peine, et vous receviez toujours quelque chose en retour de ce que vous lui donniez. Mais tel était le Paris de notre jeunesse, au temps où nous étions pauvres et très heureux.

Ernest Hemingway, Paris est une fête.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Branco







Ilha do Principe, Mar de Marmara.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

REVELACIÓN

¿Ves?: Tengo sangre
en las venas...
En estas venas
verdes, frágiles
que se enredan
como ríos de mapa entre la carne.

Tengo sangre
fresca,-¡viva!-en las venas...
¡Tengo esta
sangre que me late
en las sienes, que arde
por bajo de mi quieta
palabra y me la llena
de luz y me la quema
sin decir!..,
Tengo sangre: ¿No lo sabes?

Tengo una nueva
Y vieja
Sangre
que no espera
más, que se hace
una sola
ola
gigante,
¡una ola suspensa
que se abre!...

¿Ves?: La tengo; esta aquí... ¿No lo sabías?

¡No lo sabía yo, y era mi sangre!...

Dulce Maria Loynaz

sábado, 18 de julho de 2009

De novo a burca

Sei que estou sendo repetitiva mas é que às vezes ficam uns assuntos aqui engasgados na minha garganta e se eu não ponho para fora fica impossivel respirar direito.
Voltando sempre a questao da burca na França e uma possivel proibiçao por parte do governo, acho que a discussão nos blogs brasileiros que tive a possibilidade de ler esta muito superficial, talvez, nao seja a palavra correta, de qualquer forma acho que esta fora da realidade e das razoes da discussao.
Nao se pode, nao adianta, nao é possivel começar uma discussao sobre a anulaçao feminina que é o uso da burca e terminar falando que no Brasil as mulheres sofrem o mesmo tipo de repressao porque sao "obrigadas a pintar as unhas e estar sempre bem vestidas". Nao é a mesma coisa. NAO EH A MESMA COISA!
A discussao, na minha opiniao vai muito alem da ingerencia do estado na liberdade vestimentaria de seus cidadaos. Proibir a burca significa esperança para uma imensa quantidade de meninas e mulheres que vivem nas periferias das grandes cidades francesas e que sao assediadas cada dia por se vestirem como "francesas" isto eh, saia curta, jeans, decote... A violencia é imensa, e nao eh so verbal, estupros e pancadas fazem parte, extremos na verdade, mas nao por isso raros, do dia a dia de quem vivendo numa periferia nao se adequa a ideia deturpada e perversa que fazem alguns meninos da religiao muçulmana. E a burca legitima essa violência. A burca e o niqab estao ali para dizer, sim, voces tem razao, uma mulher deve se cobrir, porque a mulher que se expoe a olhares masculinos se expoe tambem a todo tipo de agressao por parte de outros homens.
Outra coisa terrivel que ja falei antes eh a anulaçao da mulher como corpo material. Quantas pessoas que falaram sobre relativismo e sobre direito de escolha nos blogs femininos tiveram a experiencia de conversar com uma mulher que usa a burca ou o niqab? Pois eh, o problema eh que quando conversamos com uma pessoa frente a frente e ela esta escondida, o interlocutor como corpo material nao existe. Ela nao existe aos nossos olhos e nao existe para a sociedade. E isso implica dificuldades para, por exemplo, ir ao medico, porque uma mulher velada nao pode ser consultada por um medico homem e isso ja foi motivo para muita discussao na França, pois alguns casos de agressoes contra medicos por parte de maridos violentos ou mesmo de mulheres que nao foram adequadamente tratadas porque a burca e o marido nao permitiam.
Entao eu acho que comparar isso com unha feita nao da. Porque estou de acordo que somos exageradas a morte quando se trata de "andar arrumadinha", mas isso nao nos causa problemas maiores, nenhum tipo de agressao, de discriminaçao. No maximo nao vao me deixar entrar numa boate se eu nao estiver bem vestida, e quem quer entrar num lugar desses?
A nossa noçao de higiene corporal eh sem duvida nenhuma exagerada, mas eh parte de nossa cultura e nao agride ninguem, eu me dou conta dos pensamentos selvagens que me passam pela cabeça quando vejo um ser humano de unha suja, ou que sai do banheiro sem lavar as mao, ou o fim do mundo para mim, uns sovacos peludos. Mas essa eh a minha concepçao da minha propria higiene, condicionada pela minha cultura, sem duvida, mas que nao faz mal a ninguem ate porque cada um nessa vida deixa os cabelos crescerem onde quiserem.
O que eu quero dizer, eh que nenhuma mulher eh obrigada na sociedade ocidental a ser sedutora 24 horas por dia, isso eh uma escolha, voce pode querer usar salto alto ou preferir um chinelinho, voce pode escolher! E existem leis que nos amparam, nao ha no mundo ninguem que ditara a minha relaçao com o meu corpo, porque ainda que a midia nos martele o dia inteiro como devemos nos vestir ou qual refrigerante temos que beber para estar na moda, ninguem eh obrigado a nada. Nem eu, nem vocês. Mas elas sao, a burca que anula, que oprime, que nega a existencia feminina eh uma imposiçao social que pode terminar em morte pela honra, e com isso nem se discute.

obs: e os acentos ficam para outro post.



Corajosa e correta a posiçao do governo brasileiro em relaçao à sua politica energética no que diz respeito ao Paraguai e à usina de Itaipu. Honestidade nunca fez mal a ninguém.

sábado, 11 de julho de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009


Interior da Mesquita Azul, Istambul.
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